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domingo, 14 de julho de 2013

DEIXEM AS ÁRVORES LÁ!!!


O DEPAVE - Departamento de Áreas Verdes da Secretaria do Verde - Prefeitura, autorizou a remoção, a ser feita pela Subprefeitura da Lapa, de 30 Tipuanas saudáveis que vivem no canteiro central da Av. Francisco Matarazzo, para que a W Torre - Arena Palmeiras, faça uma obra de redução do canteiro central para alargar a via. 

NÃO queremos a remoção destas árvores!

NÃO queremos intervenções que priorizem o aumento do número de carros na Av. Francisco Matarazzo!


Priorizamos o transporte público!


Priorizamos a manutenção destas árvores!


É necessário que a prefeitura faça uma avaliação de todos os impactos e intervenções previstas na Av. Francisco Matarazzo pela atual Operação Urbana Água Branca, futura Operação Urbana Consorciada Água Branca, Arena Palmeiras, empreendimentos comerciais e residenciais, obras de drenagem e obras da linha 6 do metrô. 

É necessário haver uma coordenação das intervenções e das obras de mitigação de impactos, para que não haja mais prejuízo para a qualidade de vida desta região.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Especulação imobiliária vira novela


JOÃO FERNANDO / RIO - O Estado de S.Paulo
Escrita nos anos 1950, quando os espigões neoclássicos ainda não faziam parte da paisagem paulistana, a peça Dona Xepa, que ganha nova versão em novela a partir de terça, às 22h15, na Record, foi adaptada para os dias de hoje e vai tratar da especulação imobiliária e as obras da cidade, questões em alta no momento atual.
"Novela tem de emocionar, mas, se puder levantar discussões, é válido", avalia Gustavo Reiz, responsável pela adaptação do texto do dramaturgo Pedro Bloch para a TV. Na trama, o fictício bairro da Vila do Antigo Bonde, onde a protagonista, a feirante Xepa (Ângela Leal), mora e trabalha, é menina dos olhos das construtoras que querem derrubar as casas da região.
Além da pressão das empresas, haverá a mão do deputado Feliciano (Giuseppe Oristânio), que, subornado pelas empreiteiras, mandará falsos fiscais para apavorar os moradores. "Ele tenta usar o poder que o cargo de deputado tem, as influências, as leis, para tentar implantar as mudanças nesse bairro com tradição e relíquias culturais da cidade. É para um empreendimento que ele nem sabe o que vai ser", adianta o ator.
Paulistano radicado no Rio há mais de duas décadas, Oristânio sentiu de perto as consequências da modernização da cidade quando, nos anos 1990, a Prefeitura de São Paulo construiu complexo viário Maria Maluf, na zona sul. Por causa da obra, parte do terreno da casa do pai dele foi desapropriada. "Na primeira chuva depois da inauguração, a água se acumulou nos muros das casas, derrubou a casa da minha vizinha e entulhos entraram pela casa da minha mãe. Ela teve um ataque cardíaco e caiu no chão morta na hora. Quase perdi a família inteira por causa de uma obra mal planejada", contou ao Estado.
O ator afirma que o nome do personagem, o mesmo do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), foi escolhido antes de o parlamentar ficar conhecido por suas declarações tidas como preconceituosas. "Discutimos durante um tempo a necessidade de trocar o nome. Mas, como a coincidência é tão absurda, deixamos assim", afirma. O artista acredita que também fará um recorte de outros assuntos, como a cena política. "A gente começa a perceber uma certa indignação da população quanto a determinados direitos e hábitos da classe política brasileira."
A especulação imobiliária terá diferentes abordagens na trama. Enquanto Xepa e os feirantes do bairro tentam driblar os golpes das construtoras, seu filho, Édison (Arthur Aguiar), vai elaborar na faculdade de arquitetura um dos projetos que transformarão a Vila do Antigo Bonde. "Quando ele cria o projeto, não sabe que será em cima da feira", conta Aguiar. A universidade da novela também será um dos núcleos em que o assunto será posto em xeque.
"Haverá uma briga entre os alunos de história, que defendem o patrimônio, e os de arquitetura, que querem fazer os projetos", explica Gustavo Reiz. Édison se sentirá pressionado para lutar por sua criação, que prejudicará a sua própria vida. "Na faculdade, ele faz um workshop sobre modernidade e preservação. Mas ele não tem dinheiro para pagar e vai se submeter a algumas situações para isso", revela Arthur Aguiar.
Segundo o autor da adaptação, o foco na história do bairro fictício foi uma solução para marcar o comportamento dos personagens do núcleo. "A gente vai falar da batalha do trabalhador e da ascensão da classe C." Para ele, a Vila do Antigo Bonde resgata valores típicos de cidades do interior. "A vila fala das relações dos vizinhos. Lá, há uma identidade deles, uma celebração das amizades, um lugar em que todo mundo sabe o que está acontecendo com o outro."
Os moradores, entretanto, não assistirão aos acontecimentos do bairro sem fazer nada. "Em meio às ameaças de destruição e as notícias de jornal, eles começam a se mobilizar. Eles criam um associação de moradores, fazem campanhas (de preservação do patrimônio histórico) e promovem debates", entrega Reiz. Na primeira semana, Xepa arranjará confusão com um suposto fiscal que tentará tirá-la da feira no bairro.

domingo, 12 de maio de 2013

Verticalização (verdades ocultas)



Por Cláudia Carminati

São Paulo, 12 de maio de 2013.

Li recentemente em um informe publicitário que o crescimento na região da Mooca, em 12 anos, foi de 10.089 unidades lançadas. Se cada uma dessas unidades trouxer ao menos um carro e uma pessoa para a região (isto sendo muito gentil, porque no mínimo esses empreendimentos possuem duas vagas de garagem e, provavelmente, acomodará ao menos um casal), são 10.089 carros e 10.089 pessoas transitando em uma região com a mesma infraestrutura de antes. Neste caso, será que a prefeitura não se vê obrigada a agir na região já que esses empreendimentos em nada fazem pela melhoria dela?
Além do volume de carros e pessoas aumentar, os novos empreendimentos usarão o mesmo sistema de esgoto e ruas já existentes, gerando um grande impacto na vizinhança. A verba que a prefeitura destinará para amortizar estes impactos nesta região poderia ser usada na melhoria de outros locais da cidade, onde os moradores antigos aguardam há anos. Esta verba poderia ser usada para melhoria de ruas, hospitais, escolas, iluminação e pontos de alagamentos existentes
há décadas.
Os apelos citados por eles, como bairro e ruas tranquilas, áreas verdes, condomínios fechados repletos de lazer e segurança, revitalização, melhorias urbanas e metrô, não levam em conta a piora da qualidade de vida trazidas por estes novos emprendimentos: muito barulho durante as obras que causam pó e abalam as residências vizinhas, trânsito, aumento do valor do aluguel do entorno, comércios antigos fechando, vizinhos que não se conhecem etc.
Eles comentam que esses novos empreendimentos valorizam a região, mas esquecem de dizer que o morador que vendeu sua casa para que no local construíssem um edifício não conseguirá comprar, na mesma região, outra casa ou mesmo um apartamento com o valor recebido. Com essa “valorização”, o valor do aluguel da região aumentará e os comerciantes ou moradores muitas vezes se veem obrigados a mudar por não terem mais condições financeiras de ficar no local. Por exemplo, um quarto e cozinha que antes custava em torno de
R$ 200, com esta “valorização”, agora
custa R$ 560.
De acordo com o mesmo informe, “o mercado imobiliário vive da disponibilidade de terra e da outorga onerosa1”; “com menos espaço disponível, o ideal é fazer empreendimentos que ‘rendam mais’ por m2.” Isto é, não se importam com o bem estar das pessoas que irão comprar um imóvel ou que são vizinhos aos seus empreendimentos. Eles, com sua ganância,  querem construir nas regiões que possuem mais estoque de outorga onerosa e com o máximo de “benefícios” possíveis para poderem vender mais caro e lucrar mais. Pensando assim, quanto mais alto um edifício, mais unidades ele possui e mais eles lucram.
Esses novos empreendimentos são minicidades de luxo com muito lazer, tecnologia, depósitos, seguranças e funcionários, o que aumenta o valor de venda e do condomínio. Um trabalhador comum, que recebe um salário mínimo no fim do mês não tem como comprar um imóvel deste tipo, pois um apartamento chega a custar R$ 1 milhão.
Enquanto eles constroem os novos empreendimentos próximos ao metrô e utilizam isso como artifício de venda para “convencer” pessoas que possuem grande poder aquisitivo e carros a comprar uma de suas unidades, as pessoas de baixa e média renda são empurradas para bairros mais distantes e são obrigadas a pegar ônibus lotados, ficando horas no trânsito para atravessar a cidade para chegarem em seu locais de trabalho.
1 Outorga onerosa: concessões em relação à metragem máxima a ser edificada.

sábado, 11 de maio de 2013

Eles se aproveitam da alienação vigente


Um batalhão de corretores congestionava a calçada da rua Barão do Bananal hoje de tarde. Os  últimos três sábados tem sido assim. Estão lá para vender um novo empreendimento. Mais um prédio de apartamentos na Vila Pompeia. A especulação imobiliária trabalha de segunda a segunda na cidade de São Paulo, mas é nos finais de semana que o movimento de intensifica. Casais rodam de carro a procura de um novo lar. Especuladores também buscam onde investir seu dinheiro. Ruas e avenidas ficam tomadas por homens e mulheres segurando placas publicitárias indicando caminhos e endereços, em pleno vigor  da  lei Cidade Limpa. A cada dia ocorre um lançamento em São Paulo. Li isso numa matéria confiável, pois a informação era vendida como um dado positivo, de pujança econômica, de mercado aquecido.
Se você, assim como eu, se preocupa com o bairro onde mora, saiba, você é minoria. E como tal precisa estar ciente de que suas queixas tem pouca serventia. Sua mobilização é quase inócua. O tempo dispendido é grande, mas é quase em vão. Poucas vitórias se apresentam no horizonte e dia após dia você se depara com o avanço daquilo que condena.

Repleto de razão, diante dos seus olhos você vê os problemas gerados pela falta de planejamento urbano, pelas falcatruas do setor imobiliário, pela enorme e incessante verticalização predatória. E muito pouco pode fazer pois, uma horda de vereadores dão respaldo para o setor através das necessárias retribuições àqueles que financiaram suas campanhas.

Atravessamos a gestão Serra/Kassab e observamos incrédulos o  crescimento desordenado e abusivo de todo esse processo. Nova gestão municipal assumiu a cidade e francamente, não vislumbro mudança de cenário. Ainda que tenha esperança, pois a cidade discute a revisão do Plano Diretor, não vejo qualquer sinalização de que vá imperar o bom planejamento urbano.

Então, fica claro que tudo seria muito mais fácil se no lugar das queixas recorrentes em redes sociais, víssemos o envolvimento de um número expressivo de moradores. Se as pessoas soubessem que deixando assim, ao Deus dará, as coisas tendem a piorar, talvez mais pessoas se dispusessem a discutir as coisas que os cercam. 
Assim, exigir ciclovias, hortas comunitárias, obras contra enchentes, mais áreas verdes, transporte público, preservação arquitetônica, direito a luz do sol em suas casas e claro, menos verticalização, processo que  inviabiliza isso tudo ou em alguns casos, gera os transtornos citados, seria bem mais fácil se fosse feito de maneira engajada, organizada, com participação e união de todos. Mas...

Reclamar é bom, é válido, desde que a reclamação seja seguida da tomada de atitude. 



quinta-feira, 18 de abril de 2013

Cuidado com a Operação Urbana Consorciada Água Branca!


Quando a gente olha para a Operação Urbana Consorciada Água Branca, fica claro que aquilo nada mais é do que abrir espaço para mais e mais especulação imobiliária. 

As Operações Urbanas são instrumentos que visam promover melhorias em regiões pré-determinadas da cidade. Mas quais são essas melhorias? 


Cada área, objeto de uma Operação Urbana, tem uma lei específica estabelecendo as metas a serem cumpridas, com regras que preveem flexibilidade quanto aos limites estabelecidos pela Lei de Zoneamento, mediante o pagamento de uma contrapartida financeira. 


É aí é que esta todo o perigo. Em qual economia do mundo, quem paga, e muito, pelo espaço urbano disputado pelo mercado imobiliário, esta disposto a seguir regras? Talvez haja este lugar no mundo, mas definitivamente não é o caso da cidade de São Paulo, onde a luta pelo território urbano travada sem qualquer critério é terra sem lei, onde quem manda é quem tem poder econômico.


Pois é disso que trata boa parte dessa operação, negociar espaços desejados, e em se tratando da região da Água Branca, considere bastante esse desejo, e ali, especular cada metro quadrado. 


Ou alguém acha que numa região como aquela, cujo entorno se valoriza dia após dia, será obedecido algum critério lógico de ocupação do solo? 


Quem, através dos mecanismos previstos, irá pagar por um terreno e não vá querer explorar ao máximo o valor dele? 


Ao delimitar uma área contemplada por essa operação, a prefeitura estabelece a outorga onerosa (quem bem poderia chamar-se outorga horrorosa) a ser paga, não mais para um fundo de todo o município, e sim para um fundo específico da Operação, para que certos recursos devam ser aplicados apenas nesta área.


E isso nada mais é do que a compra de um título. 


Assim, em posse desse direito, o comprador (grandes construtoras) irá trabalhar para que a futura venda de seus empreendimentos atinja a maior rentabilidade possível, uma questão de lógica de mercado bem simples. 


Se este mercado dita as regras, uma vez que é ele quem mais financia campanhas políticas, é uma grande ingenuidade acreditar que este mesmo mercado vá se submeter às imposições daqueles cuja campanha financiou. Candidaturas de prefeito e vereadores custam caro.


Na Operação Urbana Consorciada Água Branca (OUCAB), entre coisas esdrúxulas ali contidas (e eu poderia citar algumas delas, como questões ambientais, drenagem de córregos, mobilidade urbana), me deparo com a intenção de ampliação da avenida Dr. Auro Soares e que para tanto, vai precisar remover uma das linhas da CPTM, para que ambas se concentrem em um só leito, deixando livre o espaço para ampliação da tal avenida, privilegiando assim, o transporte individual motorizado. 


Essa é uma tentativa de reparar os erros cometidos, quando tornaram a avenida Francisco Matarazzo uma via quase intransitável, ao permitir a construção de dois Shoppings Centers, uma Arena Multiuso, e um imenso condomínio, o Residencial Casa das Caldeiras num pequeno trecho. Ou seja, a expansão da Auro Soares é abrir mais viário para atender empreendedores e num futuro próximo tornar-se saturada de automóveis indo contra a lógica de privilegiar o transporte público.  


Ainda que haja menções de um urbanismo mais qualificado na OUCAB, atendendo também questões de cunho social, o pano de fundo é o mesmo das outras operações; fazer de conta que a preocupação fundamental é a melhoria de uma região específica, para preparar o terreno para as grandes construtoras. Mesmo porque, ninguém investe dinheiro para ficar limitado a lucrar, quando se pode expandir bastante essa margem de lucro.


Como garantir unidades destinadas à habitação de interesse social (HIS) se o investidor quer fazer do terreno que comprou o uso mais lucrativo possível? O histórico desse mercado, não mostra disposição para fazer seu cliente conviver com moradores de renda mais baixa em regiões que classifica como nobres.


Se a região aponta para um valor de metro quadrado cada vez maior, não há como impedir que o empreendedor faça unidades habitacionais sofisticadas para uma clientela de elevado poder aquisitivo, elitizando ainda mais a região.    


Esse modelo urbano, onde bairros concentram moradores de maior poder aquisitivo é o principal responsável pela falência da cidade. 


Quanto menor for a mescla social de uma região, maior será a segregação urbana, fomentando o surgimento de bolsões de miséria nas bordas da cidade. 


Ao obrigar o trabalhador de baixa renda viver distante da oferta de trabalho, sobrecarrega-se o transporte público por conta das inúmeras e longas viagens necessárias dentro do município. 


Assim, equipamentos públicos como postos de saúde, escolas e hospitais tornam-se insuficientes para suprir as necessidades desse cidadão, dada a grande demanda encontrada em regiões de grande concentração de pessoas de baixa renda. 


Uma cidade como menor desigualdade, passa necessariamente por um planejamento urbano mais racional, contemplando diversas camadas sócio-econômicas em diversas regiões da cidade, evitando-se assim, a formação de bairros isolados, delimitados pela extrema pobreza ou pelo exclusivismo econômico.    


Afinal,  pergunte-se: a cidade já melhorou com alguma dessas operações urbanas?


A OUCAB, que atropela a revisão do Plano Diretor Estratégico, quer apenas acelerar o processo de degradação das regiões ao redor dela, criando ilhas de empreendimentos privados, verticalizados, matando os bairros ao redor. 


A Vila Pompeia sofrerá como nenhum outro bairro os impactos dessa operação na área de mobilidade, lazer, segurança e principalmente, no que diz respeito ao encarecimento do solo urbano local, obrigando mais moradores antigos a deixarem a região por conta da valorização artificial dos imóveis, dando espaço aos moradores novos com seu maior poder aquisitivo.

Essa é uma das últimas regiões do centro expandido com áreas vazias e potencial de construção para a cidade. E não podemos cruzar os braços e deixar que mais uma vez, o poder público aceite as imposições do mercado expandindo o padrão de exclusão e de insustentabilidade. 


A OUCAB, é antes de tudo, mais um movimento do mercado imobiliário predatório que há mais de uma década vem fazendo de São Paulo uma cidade pior. 









terça-feira, 19 de março de 2013

É a verticalização...é a ganância...é o córrego...é a omissão. É a Vila Pompeia

Dos problemas causados pelo mau planejamento urbano na cidade de São Paulo, a verticalização é o mais visível deles. Talvez pelo crescimento dessa atividade e mais, pelo modelo de verticalização praticado nos bairros centrais, onde a construção desses edifícios deixa evidente as falhas cometidas pelos gestores municipais que não limitam ou impõe regras mais rígidas às construtoras. Não se trata de demonizar o processo de verticalização dos bairros, posto que verticalizar pode ser uma ação eficiente e bem-vinda em várias regiões, mas sim o padrão adotado na maioria dos casos em que não se leva em conta os aspectos característicos de bairros como a Vila Pompeia, por exemplo. Num bairro já consolidado como este, manter a qualidade de vida de seus moradores tem sido um grande desafio. O padrão de verticalização adotado por aqui tem se mostrado ao longo da última década um verdadeiro desastre. Prédios de alto padrão descaracterizam um bairro que nasceu fabril,  se desenvolveu trazendo outros moradores de maior ou menor renda fazendo dele um local agradável e de convívio social intenso. Essa característica, fez da Vila Pompeia um bairro vivo, de comércio variado, e manifestações sócio-culturais das mais interessantes. Berço do rock, de centenário time de futebol, de escola de samba, a Vila Pompeia foi referência de preservação arquitetônica quando Lina Bo Bardi integrou os prédios antigos da IBESA, ao concreto armado das novas edificações do Sesc Pompeia, marco arquitetônico da região. 

Um bairro com grande potencial cultural e econômico despertou também o interesse do mercado imobiliário, mas não contou com o zelo dos nossos administradores que vem permitindo sua descaraterização. E assim, prédios de alto padrão mudam a cara do bairro, seus moradores, seu comércio tradicional, trazendo muitos automóveis para ruas que foram projetadas para um trânsito pequeno. Hoje, semáforos se encontram em quase todos os cruzamentos do bairro. Os problemas das enchentes, transtorno antigo no bairro,  a cada ano torna-se mais severo devido à contante impermeabilização do solo, agressões ao lençol freático e saturação das já combalidas galerias de esgoto. O córrego da Água Preta, canalizado para permitir o crescimento da Vila, foi a primeira vítima deste mau urbanismo. Aqui, imitaram a ação de degradação ambiental comum ao esconderem suas águas. Feita em centenas de outras regiões da cidade, a canalização mostra-se cada vez mais um grave equívoco, acarretando prejuízos para moradores e visitantes. É preciso encarar o problema de frente e barrar o modelo de verticalização praticado impunemente pelas grandes construtoras que nada fazem para minimizar os impactos danosos que impõe à região. Moradores, mão à obra. O momento é de mobilização.





terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Plano de Bairro da Vila Pompeia



Moradores e organizações de bairro da Vila Pompéia estão promovendo nesses primeiros dias de 2013 uma iniciativa de grande valia. Uma semana de atividades entre moradores e simpatizantes da nossa querida Vila, visando o compartilhamento de ideias, vivências e desejos para o bairro. Um conjunto de ações em formato de oficinas com a participação aberta a todos os moradores e interessados em discutir o bairro, falando de suas histórias e enfrentando juntos os desafios que se apresentam numa região em constante mudança, geradas pela especulação imobiliária desordenada. 

A “Pompeia Que Se Quer” pretende gerar um detalhado diagnóstico dos principais interesses, problemas e desejos das pessoas, ficando seu resultado à disposição de todos. Moradores, ex-moradores, cidadãos de São Paulo que conhecem e amam esse pequeno pedaço da cidade e quem mais estiver interessado podem se expressar, participar das oficinas, se mobilizar para construir a relevância dos seus temas de interesse. Essas propostas, organizadas por temas e territórios, constituirão o Plano de Bairro da Pompeia, que será entregue ao prefeito Fernando Haddad e aos vereadores de São Paulo para apoiá-los na revisão do Plano Diretor da Cidade.

Dentre as atividades programadas, destaques para a Horta Comunitária, realizada no sábado, dia 12 de janeiro de 2013, com orientação Átila Fragoso, que reuniu (e vai continuar reunindo) moradores na rua Francisco Bayardo. Nesse encontro, além de apresentar conhecimentos sobre o cultivo de hortaliças, mostrou-se a importância e o sentido da vivência comunitária no meio urbano. Outra atividade com bastante procura foi o Passeio Fotográfico, que contou com a colaboração do fotógrafo Paulo Preto no domingo, 13 de janeiro, reunindo amantes e profissionais da fotografia que percorreram a Vila Pompeia registrando cenas e prédios, para a preservação da memória do bairro, colhendo material  de valor afetivo, revelando o olhar dos próprios moradores e visitantes da Vila Pompéia. O material desse passeio vai integrar uma exposição fotográfica. Ainda, dentro das atividades da semana, teremos a oficina Diálogos Maduros com a coordenação de Camila Doretto, resgatando vivências e histórias de antigos moradores e a aguardada oficina de Plano de Bairro no SESC Pompéia, mediada por Henrique Parra Parra, que vai dialogar com políticos, autores de planos urbanos semelhantes em outras regiões da cidade. Enfim, pessoas se mobilizando, voluntariamente, querendo construir uma vila Pompéia melhor.