quinta-feira, 18 de abril de 2013
Cuidado com a Operação Urbana Consorciada Água Branca!
Quando a gente olha para a Operação Urbana Consorciada Água Branca, fica claro que aquilo nada mais é do que abrir espaço para mais e mais especulação imobiliária.
As Operações Urbanas são instrumentos que visam promover melhorias em regiões pré-determinadas da cidade. Mas quais são essas melhorias?
Cada área, objeto de uma Operação Urbana, tem uma lei específica estabelecendo as metas a serem cumpridas, com regras que preveem flexibilidade quanto aos limites estabelecidos pela Lei de Zoneamento, mediante o pagamento de uma contrapartida financeira.
É aí é que esta todo o perigo. Em qual economia do mundo, quem paga, e muito, pelo espaço urbano disputado pelo mercado imobiliário, esta disposto a seguir regras? Talvez haja este lugar no mundo, mas definitivamente não é o caso da cidade de São Paulo, onde a luta pelo território urbano travada sem qualquer critério é terra sem lei, onde quem manda é quem tem poder econômico.
Pois é disso que trata boa parte dessa operação, negociar espaços desejados, e em se tratando da região da Água Branca, considere bastante esse desejo, e ali, especular cada metro quadrado.
Ou alguém acha que numa região como aquela, cujo entorno se valoriza dia após dia, será obedecido algum critério lógico de ocupação do solo?
Quem, através dos mecanismos previstos, irá pagar por um terreno e não vá querer explorar ao máximo o valor dele?
Ao delimitar uma área contemplada por essa operação, a prefeitura estabelece a outorga onerosa (quem bem poderia chamar-se outorga horrorosa) a ser paga, não mais para um fundo de todo o município, e sim para um fundo específico da Operação, para que certos recursos devam ser aplicados apenas nesta área.
E isso nada mais é do que a compra de um título.
Assim, em posse desse direito, o comprador (grandes construtoras) irá trabalhar para que a futura venda de seus empreendimentos atinja a maior rentabilidade possível, uma questão de lógica de mercado bem simples.
Se este mercado dita as regras, uma vez que é ele quem mais financia campanhas políticas, é uma grande ingenuidade acreditar que este mesmo mercado vá se submeter às imposições daqueles cuja campanha financiou. Candidaturas de prefeito e vereadores custam caro.
Na Operação Urbana Consorciada Água Branca (OUCAB), entre coisas esdrúxulas ali contidas (e eu poderia citar algumas delas, como questões ambientais, drenagem de córregos, mobilidade urbana), me deparo com a intenção de ampliação da avenida Dr. Auro Soares e que para tanto, vai precisar remover uma das linhas da CPTM, para que ambas se concentrem em um só leito, deixando livre o espaço para ampliação da tal avenida, privilegiando assim, o transporte individual motorizado.
Essa é uma tentativa de reparar os erros cometidos, quando tornaram a avenida Francisco Matarazzo uma via quase intransitável, ao permitir a construção de dois Shoppings Centers, uma Arena Multiuso, e um imenso condomínio, o Residencial Casa das Caldeiras num pequeno trecho. Ou seja, a expansão da Auro Soares é abrir mais viário para atender empreendedores e num futuro próximo tornar-se saturada de automóveis indo contra a lógica de privilegiar o transporte público.
Ainda que haja menções de um urbanismo mais qualificado na OUCAB, atendendo também questões de cunho social, o pano de fundo é o mesmo das outras operações; fazer de conta que a preocupação fundamental é a melhoria de uma região específica, para preparar o terreno para as grandes construtoras. Mesmo porque, ninguém investe dinheiro para ficar limitado a lucrar, quando se pode expandir bastante essa margem de lucro.
Como garantir unidades destinadas à habitação de interesse social (HIS) se o investidor quer fazer do terreno que comprou o uso mais lucrativo possível? O histórico desse mercado, não mostra disposição para fazer seu cliente conviver com moradores de renda mais baixa em regiões que classifica como nobres.
Se a região aponta para um valor de metro quadrado cada vez maior, não há como impedir que o empreendedor faça unidades habitacionais sofisticadas para uma clientela de elevado poder aquisitivo, elitizando ainda mais a região.
Esse modelo urbano, onde bairros concentram moradores de maior poder aquisitivo é o principal responsável pela falência da cidade.
Quanto menor for a mescla social de uma região, maior será a segregação urbana, fomentando o surgimento de bolsões de miséria nas bordas da cidade.
Ao obrigar o trabalhador de baixa renda viver distante da oferta de trabalho, sobrecarrega-se o transporte público por conta das inúmeras e longas viagens necessárias dentro do município.
Assim, equipamentos públicos como postos de saúde, escolas e hospitais tornam-se insuficientes para suprir as necessidades desse cidadão, dada a grande demanda encontrada em regiões de grande concentração de pessoas de baixa renda.
Uma cidade como menor desigualdade, passa necessariamente por um planejamento urbano mais racional, contemplando diversas camadas sócio-econômicas em diversas regiões da cidade, evitando-se assim, a formação de bairros isolados, delimitados pela extrema pobreza ou pelo exclusivismo econômico.
Afinal, pergunte-se: a cidade já melhorou com alguma dessas operações urbanas?
A OUCAB, que atropela a revisão do Plano Diretor Estratégico, quer apenas acelerar o processo de degradação das regiões ao redor dela, criando ilhas de empreendimentos privados, verticalizados, matando os bairros ao redor.
A Vila Pompeia sofrerá como nenhum outro bairro os impactos dessa operação na área de mobilidade, lazer, segurança e principalmente, no que diz respeito ao encarecimento do solo urbano local, obrigando mais moradores antigos a deixarem a região por conta da valorização artificial dos imóveis, dando espaço aos moradores novos com seu maior poder aquisitivo.
Essa é uma das últimas regiões do centro expandido com áreas vazias e potencial de construção para a cidade. E não podemos cruzar os braços e deixar que mais uma vez, o poder público aceite as imposições do mercado expandindo o padrão de exclusão e de insustentabilidade.
A OUCAB, é antes de tudo, mais um movimento do mercado imobiliário predatório que há mais de uma década vem fazendo de São Paulo uma cidade pior.
terça-feira, 19 de março de 2013
É a verticalização...é a ganância...é o córrego...é a omissão. É a Vila Pompeia
Dos problemas causados pelo mau planejamento urbano na cidade de São Paulo, a verticalização é o mais visível deles. Talvez pelo crescimento dessa atividade e mais, pelo modelo de verticalização praticado nos bairros centrais, onde a construção desses edifícios deixa evidente as falhas cometidas pelos gestores municipais que não limitam ou impõe regras mais rígidas às construtoras. Não se trata de demonizar o processo de verticalização dos bairros, posto que verticalizar pode ser uma ação eficiente e bem-vinda em várias regiões, mas sim o padrão adotado na maioria dos casos em que não se leva em conta os aspectos característicos de bairros como a Vila Pompeia, por exemplo. Num bairro já consolidado como este, manter a qualidade de vida de seus moradores tem sido um grande desafio. O padrão de verticalização adotado por aqui tem se mostrado ao longo da última década um verdadeiro desastre. Prédios de alto padrão descaracterizam um bairro que nasceu fabril, se desenvolveu trazendo outros moradores de maior ou menor renda fazendo dele um local agradável e de convívio social intenso. Essa característica, fez da Vila Pompeia um bairro vivo, de comércio variado, e manifestações sócio-culturais das mais interessantes. Berço do rock, de centenário time de futebol, de escola de samba, a Vila Pompeia foi referência de preservação arquitetônica quando Lina Bo Bardi integrou os prédios antigos da IBESA, ao concreto armado das novas edificações do Sesc Pompeia, marco arquitetônico da região.
Um bairro com grande potencial cultural e econômico despertou também o interesse do mercado imobiliário, mas não contou com o zelo dos nossos administradores que vem permitindo sua descaraterização. E assim, prédios de alto padrão mudam a cara do bairro, seus moradores, seu comércio tradicional, trazendo muitos automóveis para ruas que foram projetadas para um trânsito pequeno. Hoje, semáforos se encontram em quase todos os cruzamentos do bairro. Os problemas das enchentes, transtorno antigo no bairro, a cada ano torna-se mais severo devido à contante impermeabilização do solo, agressões ao lençol freático e saturação das já combalidas galerias de esgoto. O córrego da Água Preta, canalizado para permitir o crescimento da Vila, foi a primeira vítima deste mau urbanismo. Aqui, imitaram a ação de degradação ambiental comum ao esconderem suas águas. Feita em centenas de outras regiões da cidade, a canalização mostra-se cada vez mais um grave equívoco, acarretando prejuízos para moradores e visitantes. É preciso encarar o problema de frente e barrar o modelo de verticalização praticado impunemente pelas grandes construtoras que nada fazem para minimizar os impactos danosos que impõe à região. Moradores, mão à obra. O momento é de mobilização.
Um bairro com grande potencial cultural e econômico despertou também o interesse do mercado imobiliário, mas não contou com o zelo dos nossos administradores que vem permitindo sua descaraterização. E assim, prédios de alto padrão mudam a cara do bairro, seus moradores, seu comércio tradicional, trazendo muitos automóveis para ruas que foram projetadas para um trânsito pequeno. Hoje, semáforos se encontram em quase todos os cruzamentos do bairro. Os problemas das enchentes, transtorno antigo no bairro, a cada ano torna-se mais severo devido à contante impermeabilização do solo, agressões ao lençol freático e saturação das já combalidas galerias de esgoto. O córrego da Água Preta, canalizado para permitir o crescimento da Vila, foi a primeira vítima deste mau urbanismo. Aqui, imitaram a ação de degradação ambiental comum ao esconderem suas águas. Feita em centenas de outras regiões da cidade, a canalização mostra-se cada vez mais um grave equívoco, acarretando prejuízos para moradores e visitantes. É preciso encarar o problema de frente e barrar o modelo de verticalização praticado impunemente pelas grandes construtoras que nada fazem para minimizar os impactos danosos que impõe à região. Moradores, mão à obra. O momento é de mobilização.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Plano de Bairro da Vila Pompeia
Moradores e organizações de bairro da Vila Pompéia estão promovendo
nesses primeiros dias de 2013 uma iniciativa de grande valia. Uma semana de
atividades entre moradores e simpatizantes da nossa querida Vila, visando o compartilhamento
de ideias, vivências e desejos para o bairro. Um conjunto de ações
em formato de oficinas com a participação aberta a todos os moradores e
interessados em discutir o bairro, falando de suas histórias e enfrentando
juntos os desafios que se apresentam numa região em constante mudança, geradas
pela especulação imobiliária desordenada.
A “Pompeia Que Se Quer” pretende gerar um detalhado diagnóstico dos principais interesses, problemas e desejos das pessoas, ficando seu resultado à disposição de todos. Moradores, ex-moradores, cidadãos de São
Paulo que conhecem e amam esse pequeno pedaço da cidade e quem mais estiver
interessado podem se expressar, participar das oficinas, se mobilizar para construir
a relevância dos seus temas de interesse. Essas propostas, organizadas por
temas e territórios, constituirão o Plano de Bairro da Pompeia, que será
entregue ao prefeito Fernando Haddad e aos vereadores de São Paulo para apoiá-los na revisão do
Plano Diretor da Cidade.
Dentre as atividades programadas, destaques para a Horta Comunitária,
realizada no sábado, dia 12 de janeiro de 2013, com orientação Átila Fragoso, que
reuniu (e vai continuar reunindo) moradores na rua Francisco Bayardo. Nesse encontro, além de apresentar conhecimentos
sobre o cultivo de hortaliças, mostrou-se a importância e o sentido da vivência
comunitária no meio urbano. Outra atividade com bastante procura foi o Passeio
Fotográfico, que contou com a colaboração do fotógrafo Paulo Preto no domingo,
13 de janeiro, reunindo amantes e profissionais da fotografia que percorreram a
Vila Pompeia registrando cenas e prédios, para a preservação da memória do
bairro, colhendo material de valor afetivo,
revelando o olhar dos próprios moradores e visitantes da Vila Pompéia. O material
desse passeio vai integrar uma exposição fotográfica. Ainda, dentro das
atividades da semana, teremos a oficina Diálogos Maduros com a coordenação de
Camila Doretto, resgatando vivências e histórias de antigos moradores e a aguardada oficina
de Plano de Bairro no SESC Pompéia, mediada por Henrique Parra Parra, que vai
dialogar com políticos, autores de planos urbanos semelhantes em outras regiões
da cidade. Enfim, pessoas se mobilizando, voluntariamente, querendo construir
uma vila Pompéia melhor.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Afinal, de quem é a rua Engenheiro Stevenson em São Paulo?
Na condição de colaborador de um projeto musical, onde eu
sou o responsável por captar imagens do
projeto da cantora e compositora Olivia, em que a artista se apresenta cantando
e tocando violão nas ruas da cidade de São Paulo acompanhada pelo músico Luca
Batista, me vi numa situação inusitada. Hoje, dia 26 de outubro de 2012, o
projeto que não vende CDs, ou pede contribuição monetária alguma, teve como
palco a rua Engenheiro Stevenson, na Água Branca. Ocorre que hoje, neste
endereço não passa mais automóveis, virou um boulevard mantido pelo Shopping
West Plaza. Até aí, tudo bem, afinal, quem pode se opor a uma área agradável
como essa?
Mas meu questionamento, que dá título a esse texto
prossegue, pois lá estava eu com a câmera de gravação na mão quando fui
abordado por uma agente de segurança do shopping dizendo que eu não poderia
gravar coisa alguma ali, por ser área particular. Achei estranho e depois de
uma rápida conversa eu já estava no 5º andar do prédio do West Plaza
conversando com uma senhora da administração (ou seria do marketing?) chamada
Sonia que me disse que era proibido gravar ou fotografar “dentro” do boulevard.
Insisti dizendo que eu nada fazia além de registrar imagens de dois artistas
numa rua da cidade, como nas outras vinte ocasiões semanais desse projeto.
Ainda lhe disse que não captava o público, eventualmente presente, e sequer
apontava minha câmera para as dependências particulares do aglomerado de lojas.
Com certa relutância, depois de uma civilizada conversa, ela
“permitiu” que eu fizesse as imagens desde que não gravasse a fachada do prédio
ou qualquer cliente (?) do shopping. Neste momento lembrei que no meu trabalho
de fotógrafo, já me solicitaram uma imagem deste mesmo prédio, por conta de um
problema com seu alvará de funcionamento, coisas da desastrosa administração
Kassab, e naquela ocasião também fui abordado por seguranças que foram até a
praça Souza Aranha tirar satisfações comigo do por que fotografar a fachada do West
Plaza. Ou seja, é uma orientação do shopping tentar impedir que mesmo a partir
de um espaço público, as pessoas registrem imagens desse prédio. Há uma grande confusão
aí. Todo cidadão pode gravar ou fotografar qualquer prédio da cidade desde que
haja algum contexto jornalístico ou de
caráter não lucrativo (exceto áreas de segurança pública). Um exemplo; se o
prédio apresenta algum problema estrutural e oferece risco ao cidadão na
calçada, é um fato jornalístico, e como tal, passível de ser documentado, como
um incêndio, também. Outro exemplo, se há uma manifestação popular, na rua, de
protesto ou mesmo de caráter cultural e os manifestantes se encontram na frente
do prédio, não há instrumento legal que impeça o trabalho de um cinegrafista ou
fotógrafo, ou mesmo de um radialista citar o nome do West Plaza como
referencial do evento. Se isso acarreta valor positivo ou negativo ao
empreendimento é um problema exclusivamente deles. Não havendo portanto
possibilidade alguma de cercear a liberdade da imprensa ou do munícipe.
Voltando à conversa com a senhora Sonia, aleguei que não
estava interessado em invadir a privacidade dos clientes nem expor as
dependências do West Plaza. Ao final, desci e fiz aquilo que era, no meu entender,
um direito, gravei a intervenção artística naquela rua sem prejudicar ninguém.
Algumas perguntas ainda ficam no ar. Se um pedestre é assaltado no boulevard da
rua Engenheiro Stevenson, ele deve comunicar à polícia ou dirigir-se à administração
do West Plaza para se queixar? O Shopping se responsabiliza pelos danos do
pedestre por estar nas “dependências” do West Plaza, ou a rua em questão só pertence
ao shopping quando interessa? Quem concedeu e de que forma ocorreu (se é que
ocorreu) essa transferência da rua pública para a iniciativa privada? Essa
suposta transferência de domínio, pode ser solicitada por qualquer empresa
particular, desde que ofereça alguma contrapartida ao município? E qual seria
essa contrapartida? Apenas a urbanização e manutenção do espaço? Qual a
vigência desse acordo? Quanto lucra o Shopping com essa apropriação da rua?
Vale a pena para o município? Para o West Plaza, é evidente que é muito
interessante ter essa área sob seu controle, por mais que lhe acarrete gastos
com sua manutenção. E finalmente, por conta de exercer o controle da rua, pode
o Shopping West Plaza abordar um cidadão nesta rua com o discurso de que ele esta em espaço privado?
sábado, 29 de setembro de 2012
São Paulo e as eleições de 7 de outubro de 2012
No dia 7 de outubro ocorrem as eleições municipais em todo o Brasil. Em São Paulo, como nos demais 5563 municípios serão escolhidos também os vereadores das cidades. Tão importante como escolher bem seu candidato à prefeito devemos escolher um bom vereador, pois através de sua atuação, poderemos ter mais força dentro da engenharia política que administra nossa cidade. Muitos candidatos em São Paulo receberam em 2008 doações para suas campanhas vindas do setor imobiliário. Comprometidos com essas empresas, votaram a favor da descaracterização dos bairros em diversas ocasiões. Muitas favelas queimaram nessa cidade, em incêndios suspeitos. Diversos locais desejados pela especulação imobiliária foram alvos desses incêndios. A CPI montada na Câmara para apurar essa enorme "coincidência" conta com vereadores comprometidos com essas empresas, através da tal doação de campanha. Resultado: A CPI é uma farsa e nada acontece, como alertou a matéria da revista Carta Maior:
"Todos os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) montada na Câmara Municipal de São Paulo para investigar os incêndios em favelas são financiados por empresas ligadas à construção civil e ao setor imobiliário. Juntos, os seis membros da comissão receberam na eleição de 2008, mais de R$ 782 mil, segundo as prestações de contas apresentadas à Justiça Eleitoral." (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20990&alterarHomeAtual=1)
Mas a ação desses vereadores e de outros tantos, não para por aí. Operações Urbanas, Concessões Urbanísticas, e diversas ferramentas para favorecer o capital das empresas que destroem/constroem a cidade foram votados a toque de caixa. E não há nada que nos mostre mudança nesse cenário para a próxima legislatura, a menos que mudemos os personagens, pois muitos tentam a reeleição. Portanto, considere desempregar um vereador no próximo pleito, especialmente os membros dessa famigerada CPI: Ushitaro Kamia (PSD), Toninho Paiva (PR), Anibal de Freitas (PSDB), Edir Sales (PSD) Ricardo Teixeira (PV) todos ligados ao pior prefeito da cidade de São Paulo, a criatura deixada na prefeitura por José Serra, Gilberto Kassab, que neste ano eleitoral, devolve o favor colocando a máquina municipal à disposição do tucano. Mas não são eles os únicos culpados pelo caos urbano que tomou conta dessa cidade. Boa parte dos atuais vereadores trabalham em causa própria atendendo as solicitações do setor imobiliário. Promovendo a desordem no trânsito, a piora dos índices de qualidade do ar, degradação das áreas verdes, poucos investimentos em creches, escolas, postos de saúde, a destruição do patrimônio arquitetônico entre outros fatores.A cidade de São Paulo não pode continuar a ser vista como um canteiro de obras das construtoras e a verticalização predatória precisa ser estancada. Um município complexo como o nosso precisa de políticas públicas em diversos setores, e ficar à merce dessas empresas não nos favorece em absolutamente nada.sábado, 28 de julho de 2012
Bairros agonizam em São Paulo
O que falamos há anos, chega agora aos grandes jornais...
Empreendimentos mudam identidade dos bairros de SP
Especialistas alertam para descaracterização de partes da cidade; 'Hoje na calçada só tem segurança de preto', diz morador do Paraíso
Ao chegar ao trabalho numa manhã, o comerciante José Carlos Saba, de 60 anos, percebeu que um quarteirão inteiro havia sumido a poucos metros de seu negócio. Das antigas casas, restavam apenas alguns escombros e muito entulho, como se alguém tivesse jogado uma bomba no local. Dono da lanchonete New’s, há 40 anos na região, e mais recentemente de uma padaria, ambas no Paraíso, Saba se acostumou a ver imóveis vizinhos pouco a pouco darem lugar a prédios. "Mas nunca tinha visto um quarteirão inteiro sumir", conta ele. "É muito agressivo."
Essa quadra fica no perímetro formado pelas Ruas do Livramento, Joinville, Charles Camoin e Curitiba, perto do Parque do Ibirapuera, na zona sul. "Soube que ali será levantada mais uma torre luxuosa residencial." Sim, mais uma, porque na frente da padaria de Saba, que fica na Rua Pirapora, paralela à Rua do Livramento, um prédio quase no fim da construção tem apartamentos de 407 m² a 891 m². A torre de alto luxo, com unidades a partir de R$ 5,3 milhões, ocupa mais da metade do quarteirão. Poucos metros adiante, há um outro terreno cercado, esperando mais uma torre subir.
Esse processo ocorre em outros bairros. Em Perdizes, por exemplo, incorporadoras também têm derrubado quadras inteiras ou quase inteiras de uma só vez. "São bairros que tiveram o valor do metro quadrado muito valorizado. Costumo dizer que o Paraíso pegou emprestado o valor do metro quadrado dos Jardins e Perdizes, o de Higienópolis", diz o diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), Luiz Paulo Pompeia. "Mas, para que a obra compense, o incorporador precisa de grandes extensões."
Para se ter ideia da valorização dessas áreas no últimos dois anos, o preço do metro quadrado subiu de R$ 11,6 mil para R$ 14,4 mil no Paraíso, bairro hoje considerado pelos construtores como uma extensão dos Jardins. "Os incorporadores estão famintos. E há muito proprietário desavisado, que recebe uma oferta pela casa pouco acima do valor do mercado. Ele pensa que está ganhando dinheiro, mas está perdendo. Depois da demolição de seu imóvel, o terreno livre atinge um valor muito superior ao que foi pago", alerta Pompeia.
Mudança de perfil. No momento em que as casas de classe média dão lugar a torres luxuosas, o perfil sócio econômico se eleva. "Nunca presenciamos uma mudança tão rápida de tipo de morador", diz Miguel Antônio Della Rosa, de 70 anos, que tem uma importadora de material médico nas redondezas. "Antes, as pessoas cuidavam das ruas", diz ele, que chegou a revitalizar uma das praças da região com a ajuda dos vizinhos. "Mas hoje os quarteirões estão murados e na calçada só tem segurança vestido de preto ", lamenta.
A homogeneização do perfil socioeconômico de uma região nem sempre é bem vista. "Acho nefasto acabar com a diversidade de uso e de classe social", diz Fábio Mariz Gonçalves, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP). "Quando você derruba casas com padrões diferentes, a padaria, a mecânica e outros pequenos negócios, a rua perde a vida. Ela fica vazia e insegura." Para Mariz, o ideal seriam prédios de uso misto e modelos como o Conjunto Nacional, na Avenida Paulista.
Memória. "Não há dúvida de que a verticalização é um processo natural da urbanização. Mas arrasar um quarteirão significa que a cidade está sendo desconsiderada", diz o arquiteto Guto Requena, especialista em habitação e design contemporâneo. "É um processo que apaga os resquícios de memória do paulistano. E a cidade fica sem identidade."
De sua lanchonete no Paraíso, Saba lembra da época em que os vizinhos da Rua Pirapora pediam para a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) fechar a rua para a tradicional festa junina. "Os vizinhos se foram e, em um piscar de olhos, as casas sumiram", diz. "E a gente tem de engolir isso e se acostumar."
terça-feira, 19 de junho de 2012
Um casarão que sumiu
Casarão centenário, que um dia abrigou uma escola chamada Florence, da família do desenhista francês Hercules Florence que radicou-se no Brasil após participar de uma expedição pelo interior de vários estados brasileiros no início do século retrasado. Foi ao chão em janeiro para dar lugar a um medonho empreendimento comercial
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